domingo, 1 de março de 2015

Árduo Conhecimento

             



Um dos ritos de passagem da nossa cultura para a chegada de um bebê é o tão esperado, por muitas mamães, chá de fraldas. Agraciamos a agraciada, que irá conceber a luz, com presentes (na maioria das vezes fraldas). Ontem tive a oportunidade de participar de um desses eventos e no meio da conversa das senhoras fui atingido com uma frase um tanto desmotivadora que não para de martelar na minha cabeça. Tal frase era: "Não vejo a hora das criança arrumar um trabalho e sair logo de casa", os erros de português da oração não me aterrorizaram mais do que o conteúdo.

A partir dai comecei a refletir sobre como a sociedade vê o jovem que opta por estudar ao invés de começar a rotina de trabalho precocemente. A visão que muitas pessoas tem quando se fala que é um vestibulando ou estudante é a mais tórpida possível e em muitos casos somos obrigados a escutar certos tipos de comentários infelizes como : "mas você só estuda ?". Não entendo o que essas pessoas querem dizer com isso, como assim "só estuda ?".

Talvez seja por isso que o nosso país vive um déficit gigante de professores, principalmente nas áreas de física e matemática. Tudo bem, eu entendo que o governo atual não ajuda também nessa questão, mas se nós como cidadãos não enxergamos que estudar primeiro e se qualificar é melhor do que trabalhar, como queremos que as autoridades enxerguem isso ?.

Forçar nossos filhos e filhas à saírem de casa em busca de emprego, casa, casamente, entre outras exigências, não é uma solução viável e muito menos uma cura para os problemas pessoais dos pais dentro de casa.

Me lembro muito bem de um pastor de muita idade que chegara em um local para tirar seu cartão de crédito e o perguntaram : "qual a sua profissão ?" e ele respondera : "sou um aprendedor". Que dia nos tornaremos assim e vamos perceber que o conhecimento não se compra, não se vende e ninguém o tira de você ?!.